A Colo de Mãe começou em 2013, no ático da minha casa, usando máquinas de costura e retalhos que eu já possuía de um antigo ateliê. O início foi bem despretensioso e a gente só fez um aporte financeiro a partir do quinto mês de operação: foram três parcelas de R$ 150,00 de cada sócia, totalizando R$ 900,00. Ao final do primeiro ano, a empresa tinha faturado quase R$ 90 mil.
Se isso não é um caso de sucesso de como começar um negócio com pouco dinheiro, eu não sei bem o que pode ser.
Na época eu já sabia, mas hoje tenho muito mais clareza sobre os pontos que contribuíram para que a empresa conseguisse crescer tanto, em tão pouco tempo e com tão pouco investimento.
Estudando sobre Lean Startup, encontrei um conceito que me fez lembrar bastante do modelo de empresa que construímos: o MVP (Minimum Viable Product), ou produto mínimo viável, que consiste em colocar no mercado uma versão suficientemente funcional de um produto ou serviço para testá-lo sem fazer grandes investimentos antes de saber se ele funciona. No caso da Colo de Mãe, fizemos algo parecido não apenas com os produtos, mas com a própria estrutura da empresa.
Instintivamente, construímos uma espécie de empresa minimamente viável, se é que posso chamar assim.
O que a gente mais vê nas redes sociais são pessoas ostentando carros, escritórios, estruturas grandiosas, mentorias de milhares de reais, terninhos, maquiagens e penteados que não têm viabilidade alguma com o trabalho que é construir e fazer uma pequena fábrica operar. Como nem eu, nem minha sócia tínhamos capital para investir, optamos pela menor e mais econômica estrutura possível. E a usamos até onde não dava mais.
A empresa funcionou no ático da minha casa durante dois anos. Subíamos e descíamos escadas com sacos de fibra, sacolas de tecidos e caixas de produtos. Percorríamos os mercados da região procurando caixas para enviar os pedidos vendidos pelo site. A gente desmontava as caixas e montava ao contrário para aproveitar o lado sem impressão.
Durante quase oito meses, tudo o que vendíamos era cortado pela minha sócia e costurado por mim. Só depois começamos a terceirizar parte da produção.

Para conseguir abrir pontos de venda sem precisar investir em lojas próprias, trabalhamos com diversos pontos consignados. Fazíamos as fotos dos produtos em casa, os ensaios nos parques e toda a divulgação por conta própria. Nosso site era o mais simples possível dentro da plataforma do UOL.
Ou seja: custos muito baixos enquanto ainda estávamos descobrindo se aquele negócio funcionaria.
Isso também nos permitia oferecer preços atrativos para uma proposta que ainda era nova: enxoval funcional para bebês, colorido e estampado. Hoje eu consigo olhar para trás e perceber coisas em que talvez pudéssemos ter investido antes. Fotografia profissional para o site e materiais de divulgação são alguns exemplos.
Mas a ausência de reservas financeiras conduzia nossas decisões. E havia mais algumas regras:
Só sairíamos de um espaço quando realmente não fosse mais possível continuar ali.
Só contrataríamos uma funcionária quando o trabalho dela fosse capaz de aumentar significativamente nosso faturamento.
E só investiríamos em ações que, mais do que visibilidade, tivessem potencial de gerar vendas.
MITO: Começar um negócio exige muito dinheiro
Hoje vejo muita gente deixando de começar porque acredita que começar um negócio exige muito dinheiro. Quando alguém me pergunta sobre isso, minha orientação costuma ser justamente o contrário: se você ainda vai testar uma ideia, procure começar por algo que exija pouco investimento, que permita aproveitar a estrutura que você já possui e, principalmente, que tenha possibilidade real de gerar lucro. Porque nenhuma empresa se sustenta por muito tempo se não houver lucro.
É aquela velha máxima: comece com o que você tem e vá melhorando aos poucos. Talvez não renda uma foto tão bonita para o Instagram, mas pode render uma empresa.
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Que conhecer alguns itens sucesso da Colo de Mãe? Comece por aqui: Itens para Banho e Piscina
Perfeito! Com certeza é um caso de sucesso!!! Compartilhando com amigas!
Obrigada Luize! E que bom que no meio do caminho encontramos você para alterar o site e nos ajudar nessa empreitada!
Acompanhei a evolução da empresa e sou testemunha do quanto é preciso trabalhar para produzir alguma coisa.
Hoje vemos influenciadores ganhando muito dinheiro por aí, parece uma inversão de tudo o que é produção.
Será que vamos mesmo deixar produção para os chineses?
Pois é, alguém precisa produzir, né? E produção tem linha, tem fibra voando, tem barulho de máquina… Zero glamour!