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Exterogestação: o bebê não nasce pronto

Exterogestação: o bebê não nasce pronto

É só olhar para um bebezinho recém-nascido que já entendemos como são frágeis e necessitam de cuidados especiais. Mas, segundo especialistas que defendem a teoria da exterogestação, mais do que simplesmente frágeis, bebês recém-nascidos estão em desenvolvimento como se ainda estivessem na barriga da sua mãe. Essa fase conhecida como os 100 primeiros dias, tem uma importância especial na formação neurológica e dos sistemas respiratório, circulatório, digestório e endócrino.

A teoria da exterogestação foi criada pelo antropólogo Ashley Montagu e popularizada pelo pediatra norte americano Harvey Karp que chama esse período de “quarto-trimestre”. A ideia é que nos três primeiros meses de vida o bebê receba cuidados que imitem um pouco o útero materno, para que ele se desenvolva com mais tranquilidade emocional e física. E, aos poucos, vá fazendo a transição entre o mundo da gestação e o mundo externo.

Principais cuidados com o bebê nos 100 primeiros dias

1 – Contato com a mãe – colo, pele e mais colo. Estar em contato com a mãe, o mais próximo de sua pele possível, sentindo seu cheiro e ouvindo os seus sons, é o que mais permite simular a vida uterina. Para isso recomenda-se o uso de sling (carregador de pano) para que o bebê esteja próximo a maior parte do tempo. O som do coração da mãe batendo, junto com sua voz, são os primeiros sons que o bebê reconhece e por isso mesmo trazem tranquilidade. O colo também oferece o calor do corpo materno, muito importante para o desenvolvimento dos órgãos da criança.

2 – Amamentação em livre demanda – Na extereogestação a amamentação não deve ser estabelecida por uma rotina programada, mas pela vontade natural da criança ou necessidade da mãe. Ou seja, o bebê deve mamar quando estiver com fome, e mais uma vez a proximidade com a mãe irá ajudar para que ela perceba essa necessidade e esteja disponível para oferecer a mama. Segundo especialistas, o choro é o último sinal de fome que o bebê dá. Estar com bebê próximo, seja no sling ou outro carregador, irá dar a mãe a possibilidade de decifrar esses outros sinais.

3 – Afeto e aconchego – Algumas teorias defendem que a criança precisa ser deixada chorando para que desenvolva o autocontrole. Porém, na teoria da extereogestação a ideia é exatamente ao contrário: amor demais nunca estraga, já a falta dele pode sim ser prejudicial ao desenvolvimento emocional e psíquico da criança. Especialistas se baseiam na verdade que o ser humano é um ser sociável e precisa de interação emocional desde a primeira fase da sua vida. Por isso a necessidade do toque, do contato físico e do colo, como forma de acolhimento e segurança, tão fundamental para o desenvolvimento saudável do indivíduo.

Dicas práticas para a fase da extereogestação

Além do colo, especialistas trazem outras dicas para simular o ambiente uterino nesses primeiros três meses de vida. O primeiro deles é deixar o bebê embrulhadinho, o famoso pacotinho. Assim ele fica apertadinho como no útero e não permite que ele se debata, já que ainda não consegue controlar perfeitamente os movimentos dos braços e pernas.

A segunda dica é o balanço. Segurar o bebê no colo e fazer movimentos de maneira ritmada e repetitiva. Lembre-se que ele passou os 9 meses caminhando e se movimentando junto com sua mãe. O mais importante é entender que o bebê recém-nascido não é uma pequena criança, mais um ser humano que ainda está terminando de se desenvolver e precisa muito mais de afeto e segurança do que rotina ou rótulos. Bebês recém-nascidos não são chorões, manhosos ou birrentos. Não se deixe influenciar por essas falas. Conecte-se com seu bebê e siga seu instinto acolhedor de mãe.

 

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