CAMA COMPARTILHADA

Quando a criança tem um quarto para chamar de seu [o que é o ideal, mas nem sempre é a realidade], mesmo que seja compartilhado com os irmãos, ela tem um espaço onde ela pode se identificar com as suas coisas, sua cama, seus brinquedos e decoração. Ela pode fazer deste espaço um lugar muito agradável para brincar, estudar e descansar. Mas algumas crianças, apesar de gostar de seus quartos e de suas camas, gostam mais de dormir é na cama dos pais. Ou então, solicitam que um de seus pais durma no quarto junto delas.

Esta condição pode não parecer um problema para alguns pais, mesmo porque essa situação pode ser mantida também para conforto dos adultos e não só da criança, seja por insegurança de poder garantir que vai ficar tudo bem com o filho sozinho no quarto, seja para evitar confrontos com a criança, ou até mesmo para suprir a ausência de um cônjuge, entre outras consequências a serem mantidas por esse comportamento.

Não estou dizendo que os filhos nunca possam ir para a cama dos pais ou vice-versa, mas é mais apropriado que essa situação seja reservada para datas excepcionais, como quando o filho está doente, ou é feriado ou final de semana.  Cada família pode combinar o dia da exceção, desde que seja confortável para ambos.

Falamos sobre alguns motivos que fazem com que as crianças compartilhem a cama com os pais, agora vamos falar sobre os problemas desta situação se manter. Muitos pais preferem dormir com os filhos quando eles são bebês por receio de os deixarem sozinhos. Mas alguns destes pais, por motivos a serem analisados em cada caso, não se esforçam em deixar o filho dormir em seu próprio quarto, mesmo que esteja todo decorado desde antes do nascimento. O que era provisório vira permanente e cômodo.

Mas temos que pensar que essa criança é um ser que precisa desenvolver a sua individualidade, mas para isso, os pais precisam criar um ambiente que transmita segurança e confiança, para que a criança possa se sentir bem em seu próprio quarto. Além de que os pais, mesmo que solteiros, precisam também ter a sua individualidade e privacidade respeitadas.

Mas como criar este ambiente convidativo para a criança que já está acostumada a dormir entre os pais?

  • Deixe a criança escolher a decoração do quarto, de preferência dentro das alternativas que você escolher dentro do seu orçamento, é claro! A ideia é escolher juntos.
  • Passe bons momentos com a criança no quarto dela, brinque, leia histórias e se divirta com ela nesse ambiente
  • Não coloque a criança de castigo no quarto dela, pois além de ela ter grande variedade de estímulos agradáveis disponíveis lá dentro e aí não é castigo! Ela poderá associar o quarto como sendo um lugar para ir quando faz algo errado.
  • Se a criança disser que tem medo do escuro, deixe um abajur acesso e diga que vocês estarão logo ali ao lado, que não há o que temer, mas se precisar pode chamar.
  • Converse com a criança e esclareça as novas regras e os motivos para a mudança (lembre-se de adequar a linguagem à idade da criança e, se for possível, peça para ela repetir para verificar se entendeu), diga que a partir de agora ela deverá dormir em seu quarto, mostre as vantagens e combine um prêmio por dormir todas as noites ali, pode ser inclusive dormir no quarto dos pais em um dia do final de semana! Aqui vale usar a técnica da economia de fichas*.
  • E se a criança insistir em chamar várias vezes ou se levantar e for para a cama dos pais, aí entra o exercício de paciência e persistência: levante quantas vezes forem necessárias para recolocar a criança em sua cama. No começo pode ser difícil, mas a tendência ao passar do tempo é que a criança vai entender que não importa o que ela faça o combinado não vai ser descumprido pelos pais. Esta última parte é muito importante: nunca deixe de cumprir os combinados quanto às regras, só assim elas funcionaram e as crianças se sentiram mais seguras!

 

* Economia de fichas é uma técnica de programa de recompensas por meio de pontuação. Primeiro é necessário descrever o comportamento alvo, neste caso, dormir em sua cama, depois deve-se combinar que a cada noite dormida inteira em sua cama ganhará um ponto, que poderá ser marcado em um quadro, ou guardado em forma de fichas em uma caixa ou pote, se ao final da semana tiver o número suficientes de pontos, combinado previamente, poderá ter a sua recompensa.

 

**material auxiliar: livro Bibi vai para a sua cama. Autor: Alejandro Rosas. Editora Scipione. Ano 2015.

 

 

 

Adriana Aparecida Pivetta

 

Psicóloga Especialista em Terapia Comportamental
CRP 06/108736,
graduada pela UNESP campus Bauru e
especializada pelo ITCR – Campinas.

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